Itapui, S.P.
Violência contra gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros, ineficiência da lei que criminaliza os atos de homofobia e falta de políticas públicas inter-setoriais, principalmente nas áreas de educação, saúde e direitos humanos. Estes são alguns dos desafios enfrentados pela comunidade GLBT de Bauru, que iniciou na segunda, em Bauru, a 1.ª Semana da Diversidade, e realiza no proximo final de semana a 3ª parada da Diversidade.
Seguindo a tendência do que já vem ocorrendo em outras cidades, a proposta é envolver outros grupos de minorias - como crianças e adolescentes, negros, mulheres e pessoas com deficiência - para fortalecer o movimento e ajudar a ampliar a rede de atendimento e proteção a todos eles, além de pressionar governos municipal, estadual e federal para que sejam criadas leis e organizações voltadas à defesa de seus direitos.
Embora já existam representantes desses grupos liderando discussões importantes na política, nas áreas cultural, social e empresarial e em organizações não-governamentais, o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Transexuais e Travestis (ABGLT), Tony Reis, que participou da abertura da Semana da Diversidade, afirma que há muito ainda a ser conquistado.
“E eventos como este são espaços fundamentais para reafirmar e discutir a diversidade como um todo”, observa, ressaltando que a antiga Parada Gay, puramente festiva, vem ganhando contornos políticos em várias partes do Brasil nos últimos três anos.
Na edição de Bauru, por exemplo, um amplo fórum de debates terá como resultado a elaboração de um documento de reivindicações que será entregue ao prefeito Rodrigo Agostinho e à Câmara Municipal.
“O objetivo é ampliar cada vez mais nossas parcerias para, juntos com esses aliados, combater o preconceito que ainda é muito grande no Brasil”, complementa Tony, que ministrará uma palestra hoje na cidade.
É inegável que o movimento avançou muito nos últimos anos e comportamentos segregatórios até então vistos como aceitáveis agora são condenados por parte significativa da sociedade e, inclusive, por força de lei. A própria ABGLT, por exemplo, foi fundada em 1995 com apenas 31 entidades associadas que, passados apenas quatro, já somam 220.
Passos lentos
No entanto, na prática cotidiana, o racismo, a homofobia e a violência contra mulheres e crianças ainda persistem, mesmo que silenciosos.
Para se ter uma idéia de como a mudança de pensamento caminha a passos lentos, a lei estadual 10.948, que pune atitudes de preconceito contra homossexuais, foi publicada há oito anos e até hoje é desconhecida da maioria das pessoas.
“A luta pelos direitos, inclusive por aqueles que já existem no papel, tem de ser diária e não pode parar nunca”, defende Marcos Souza, o Markinhos, coordenador geral da Associação Bauru pela Diversidade (ABD), entidade que organiza a Semana.
Para Markinhos, diferentemente do que ocorre com os demais grupos minorizados, a comunidade GLBT ainda enfrenta a resistência de segmentos religiosos, muitos deles atuantes nas bancadas legislativas.
“O que a gente espera é que, com essa união de forças junto às demais minorias, seja possível lutar, ao menos, pela criação de um conselho municipal e até de uma secretaria estadual de cidadania e direitos humanos, para englobar todas as discussões e reivindicações desses grupos”, comenta.
Consumidor
Para Marcos Souza, o Markinhos, o público GLBT foi percebido pelo mercado como um filão de consumo e, por isso, ganhou visibilidade na última década nas áreas de entretenimento, moda e beleza. “Nós não temos filhos e todo o dinheiro que ganhamos é gasto conosco. O direito de consumir veio rapidamente com a criação de locais e produtos específicos para este público, mas não foi acompanhado pela conquista de direitos dos homossexuais como cidadãos”, lamenta.
Além da efetivação da lei já existente, ainda permanecem como desafios em âmbito estadual e nacional a criação de políticas de saúde específicas para os homossexuais e a inclusão, na rede pública de ensino, de ações de incentivo ao respeito a todas as orientações sexuais, apenas para citar dois exemplos.
Fonte: Tisa Moraes

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